Programas de Milhagens Brasileiros – O Modelo Atual é Sustentável?

Programas de Milhagens Brasileiros - O Modelo Atual é Sustentável?

O título desse artigo é uma pergunta que sempre me vem à mente toda vez que eu penso nas frequentes campanhas de compras e transferências de pontos dos diferentes programas de milhagens nacionais, incluindo o Miles&Go da TAP.

O Brasil se transformou num caso único que, nesse momento, honestamente eu não sei até onde chegaremos. Eu desconheço qualquer outro mercado no mundo onde exista essa constante corrida desenfreada de compra e transferências de pontos de cartão de crédito ou de um programa para outro, como nós temos por aqui.

Mercado Cheio de Pontos

Quanto mais eu reflito sobre esse assunto, mais claro fica para mim que no modelo atual nós, os consumidores, que teoricamente nos beneficiamos disso hoje, seremos os principais prejudicados no futuro.

Veja que temos uma grande quantidade de promoções todos os meses onde é possível, por exemplo:

  • Comprar pontos Livelo, Multiplus, TudoAzul e Smiles com desconto.
  • Transferir pontos da Livelo para os demais programas com bônus.
  • Transferir pontos de cartões de créditos para os programas com bônus.
  • Participar de clubes de pontos onde pode-se acumular uma boa quantidade de pontos todos os meses.

É claro que se eu ou você fôssemos os únicos no mercado tirando proveito dessas promoções tudo seria perfeito, certo?!? No entanto, temos cada vez mais pessoas se aproveitando dessas super oportunidades. E é justamente aí que temos o problema!

Você já parou para pensar quantos milhões de pontos são criados no mercado todos os meses? Lembre-se que enquanto eu e você podemos estar comprando e transferindo pequenas quantidades de pontos, muita gente chega perto da casa dos milhões!

Oferta Limitada

Embora os clubes de pontos tentem induzir os clientes a trocar pontos por produtos e serviços, eu diria que o objetivo de, talvez, oito a cada dez pessoas, seja usar os pontos para a emissão de passagens aéreas para curtir as férias em algum lugar bem legal com a família. Ou seja, temos uma tremenda procura.

E é nesse momento que os problemas começam, pois se por um lado temos uma quantidade cada vez maior de pessoas tentando emitir passagens com pontos, o número de empresas áreas atendendo o Brasil é, na melhor das hipóteses dado o nosso atual cenário econômico, constante! Ou seja, não é preciso ser um Einstein para concluir que vai faltar assento para acomodar toda essa gente emitindo passagens com pontos.

Agora a falta de assento gera o que? Descontentamento, frustração e … aumento de preços!

Aumento de Preços

Aqui vem o elemento que, na minha opinião é para onde estamos caminhando a passos largos – preços inflacionados nas tabelas de emissão. As empresas, que sempre visam o lucro (nada de errado aqui, diga-se de passagem), ao se darem conta que existe um grande número de pessoas com saldos de pontos altíssimos em suas contas tentando emitir passagens fazem o que? Aumentam o valor das emissões, claro!

Exatamente por isso que eu digo que o modelo atual é insustentável, pois até onde o mercado pode acomodar todos esses aumentos de preços e ainda manter as pessoas interessadas em pontos e milhas?
Programas de Milhagens Brasileiros - O Modelo Atual é Sustentável?

Solução para o Problema

Eu não sou, de maneira alguma, um expert no assunto, mas na minha opinião será preciso, de alguma forma, limitar o acesso a pontos baratos. Veja que as transferências de pontos do cartão de crédito ou de um programa para outro podem e devem continuar existindo, porém não deveriam acontecer com a frequência atual.

Por outro lado, eu acho que o ganho de pontos nas compras do dia-a-dia deveriam ter ainda mais destaque, pois é um incentivo extra para quem já está precisando comprar algo. Além do que, aqui é bem mais fácil de se controlar a quantidade de pontos que entra no mercado, pois ninguém vai, digamos, comprar dez geladeiras para ganhar 500 mil pontos! Ou vai? 😀

O acesso aos pontos deve ser mais difícil, pois com isso consegue-se um melhor equilíbrio entre a oferta e a procura de assentos, principalmente nas cabines premium – executiva e primeira classe. Eu sei que num primeiro momento isso pode parecer egoísmo, mas no longo prazo isso garante a atratividade dos programas para as pessoas.

Ressalto que eu sou totalmente a favor da universalização dos programas de fidelização e acho que as pessoas têm que tirar o maior proveito deles. Só acho que estamos perdendo o controle no Brasil e nós, os consumidores, seremos os principais prejudicados – principalmente os iniciantes no mundo das milhas e pontos.

Agradeço a Beatriz, Paulo, Guilherme e Eloy pelas discussões e artigos publicados que constantemente me ajudam a refletir mais e mais sobre esse assunto!